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20 EPs nacionais de que gostámos em 2024

9 Janeiro, 2025 - 11:13

Ambient, house e techno são algumas das etiquetas que marcam os nossos EPs nacionais favoritos de 2024.

Não é habitual ver seleções de EPs em listas de fim de ano, mas nem todos cobrem eletrónica. No nosso caso, é obrigatório que o façamos: afinal, muita da produção nacional de dança (e não só) chega neste formato.

Mais uma vez, tentamos que esta lista seja tão abrangente quanto possível. Dada a quantidade de house e techno que há no país, poderia ter sido mais fácil centrar a seleção nesses dois géneros. Ainda assim, com o que ouvimos este ano, isso seria impossível. Basta olhar para exemplos como o ambient de BLEID em “Endless Love” ou a atitude punk do EP de estreia das Agressive Girls.

Ouve e lê sobre os nossos 20 EPs abaixo, numa seleção que passa por alguns nomes já conhecidos, como A Thousand Details, DJ Kolt, FloorForce, Ka​§​par ou Nørbak, e outros tantos mais recentes ou em estreia, como Carolina Miragaia, Girls 96 ou miana.

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A Thousand Details – Unrestful Mind [HAYES]

Um dos grandes de regresso a uma das grandes. Cientista irrepreensível sempre a cozinhar no laboratório analógico, A Thousand Details traz cinco faixas (quatro no vinil) com ênfase em acordes e groove que tanto nos remetem para a originalidade e contemporaneidade do próprio como para escolas fundadoras. DD

Agressive Girls – Agressive Girls [Cosmic Burger]

Estreia da dupla punk de Dakoi. e Diana XL, aqui juntas num grito de revolta queer sincero e único, marcado por metal, música de clube desconstruída, inspirações dubstep ou trap e letras em português. Brutal. DD

António, Pir – Off Topic 003 [Off Topic]

Ouve no YouTube

Chega às lojas europeias em fevereiro, mas já anda nas prateleiras portuguesas desde final do ano passado. Terceiro disco da equipa torreense, exclusivo em vinil, marcado por um par de faixas de António e outro de Pir. House fogo e edificante de tendência minimal e de pedir por mais. DD

Berllioz – Detalhes de Relevo [Percebes]

Rico em atmosferas, paisagens e detalhes (há linhas de baixo acentuadas, toques dub, vozes que circulam à nossa volta e muito mais), “Detalhes de Relevo” dá boa ideia da originalidade de Berllioz. House numa descrição mais ampla, mas que revela exploração profunda ao ser ouvido com cuidado e atenção. Belo disco, este, com faixas que podem brilhar tanto no Sunwaves quanto no Waking Life, afirmando-se como uma peça cativante, contemplativa e cheia de camadas. DD

BLEID – Endless Love [surf]

Ano incrível para BLEID, com trabalhos como “Aerosol”. Aqui, o lado ambient repleto de guitarras, gravações e coração. Amor sem fim. Clímax pelo meio. Uma terna e envolvente viagem a não perder. DD

Bobby Dreams – Let Them Know EP [All Nice Records]

Primeiro EP de João Caldeira como Bobby Dreams, ele que tem uma discografia com trabalhos assinados com nomes como Fatigado ou Foreign. Disco que até pode ecoar o espírito de Chicago ou Detroit, mas que acima de tudo tem cunho house próprio, marcado por grooves profundos das linhas de baixo, a energia das muitas teclas ou a boa onda, quase trippy, que se espalha por todo EP. DD

Carolina Miragaia – exobiological [æ]

Meticuloso, dinâmico, cheio de programação rítmica desafiante ou de ambiências confortáveis, “exobiological” pode entrar em prateleiras IDM, mas de pouco adiantam palavras ou categorizações quando falamos de lançamentos tão ricos quanto este. O melhor é mesmo ouvir. DD

DJ Kolt – Verdadeiro [Príncipe]

Longa vida a DJ Kolt. Um dos produtores e DJs mais especiais da batida na última decada, anunciou no final de 2023 a sua “morte”, com a promessa de dois lançamentos “póstumos” pela Príncipe. Foi neste contexto que chegou “Verdadeiro”, uma fantástica celebração da carreira do DJ que se deu a conhecer ao público em 2013, como membro dos Blacksea Não Maya, num EP com os Piquenos DJs Do Guetto, editado igualmente pelo selo lisboeta.

Em “Verdadeiro”, Kolt abandonou os ritmos mais lentos de “Máquina de Vénus” e entregou-se por completo à sua veia club, com quatro faixas de proporções imponentes, sem nunca deixar que a sua sonoridade caiba em qualquer tipo de caixa associada à club típica do “big room”. Aliás, se há algo que caracterizou a carreira de Kolt, foi a forma arrojada como nunca hesitou em misturar sub-géneros e elementos nas suas faixas (e DJ sets). Em “Verdadeiro”, fá-lo de forma exímia, mostrando uma maturidade e propensão para estas andanças que nos deixa com um sabor agridoce. Kolt viverá para sempre nas pistas, e por cá continuamos a aguardar pelo 2º dos lançamentos prometidos. JA

FloorForce – Will Make You Dance [Whoopee Rec]

Hugo Vinagre (Miguel Torga, Early Jacker e por aí fora) a provar por que razão é um dos nossos produtores favoritos. House certeiro e sem rodeios a piscar o olho aos alicerces do género e às pistas deste país (e mundo). DD

Gazpa – Dub’n’Bass [O Sótão]

Depois de “No More House”, o portuense Gazpa foi ao arquivo resgatar “projetos inacabados” para nos trazer “Dub’n’Bass”. Editado pela O Sótão, é um EP delicioso que há de agradar diferentes ouvidos, já que tanto nos remete para caminhos de ambient e dub techno, na primeira parte, como para drum’n’bass, na segunda. DD

Girls 96 – 1996 [Maternidade]

O EP de estreia de Girls 96 é revivalismo com sentido. Alma electroclash em português, dá-nos os synths e as vozes que se procuram neste mundo. Celebração da memória que não se perde no passado – mesmo piscando o olho a temas como Tiger Toy, de Electrocute – e que, aliás, encontra vida e dá ânimo no presente. Sempre “a dar tudo”. DD

Ka​§​par – Omnisciente [Percebes]

EP de escuta obrigatória assinado por um dos grandes cá do burgo. Quarto e último curta-duração de uma série que é rematada por um caminho repleto de paragens: Brasil, Estados Unidos, dub, hip-hop ou Gemeste, uma das grandes faixas de house do ano. Académico. DD

M3STR – Watcher [Analytical Convenience]

M3STR é daqueles novos nomes do techno para manter bem de perto e debaixo dos ouvidos. “Watcher” mostra porquê, com faixas como a mais acelerada Terminus, com aquele synth doido e circundante, ou Don’t Go, mais mental e delirante. Parte-pistas. DD

miana – miana barroco midi

Estreia com ambient como pano de fundo, miana explora diversos sub-géneros de electrónica, demonstrando talento e sensibilidade que chama imediatamente a atenção. Desde este EP, tem sido prolífera em lançamentos no seu SoundCloud, onde vai confirmando o talento e versatilidade como produtora e compositora em faixas como “o problema é a cidade” ou o remix de “issa luv song”, da rapper Lil Mami Barbz. JA

Nørbak – Sopro EP [Token]

Nørbak não tem 30 anos, mas os primeiros lançamentos já têm quase uma década, um reflexo da dedicação à arte que o coloca num nível à parte. Estreia a solo pela Token Records, “Sopro” é mais um exemplo da maturidade e consistência de Artur Moreira, com sound design meticuloso, melodias e beats que equilibram tensão mental, física e, em alguns casos, quase emocional (ouça-se a faixa homónima). Techno preciso, que ressoa bem em qualquer pista dedicada ao género. DD

OITO//OITO, Mirror People – MP88

A dupla de Pedro Pinto (Dupplo) e André Soares (Señor Pelota) ao lado de Rui Maia (Mirror People) só poderia dar bons frutos. Três faixas de latitude acid, house e apontamentos disco para pôr corpos a dançar sem parar e de olhos fechados. DD

Phoebe – Homo Hustle [Discos Extendes]

Já não há dúvidas de que a Discos Extendes, editora desprovida de rótulos, tem vindo a lançar consistentemente alguma da eletrónica mais interessante que se faz por cá. E este “Homo Hustle”, de Phoebe, não é exceção. Podíamos discorrer sobre o house (algum de influências clássicas de Detroit), electro, broken beat e afins que o compõe, mas mais do que falar, o que vale mesmo é escutar. Ide, ide. RC

RS Produções, Henrique J. Paris – Ressurgência

Que trabalho, este. “Ressurgência” partiu da instalação multimédia “Padrões da Polifonia”, de Henrique J. Paris, uma “crítica artística, arquitetônica e institucional que atualmente se infiltra no Monumento colonialista dos Descobrimentos em Belém, no âmbito da exposição Álbuns de Família”, pode ler-se na descrição no Bandcamp. Ao seu lado, neste EP, Paris conta com a incrível tropa de RS Produções “para construir um repertório sonoro a partir do legado das tradições e do significado político” da batida e kuduro, traçando “a história da sua composição sonora como um canal para a ruptura colectiva que traz alegria radical e fé como uma ferramenta para comunidades negras marginalizadas.” Palavras à parte, ouçamos esta imperdível “Ressurgência”. DD

Salbany – Crossroads [Paraíso]

Chamávamos-lhe “promessa do techno nacional” em 2020 e discos como este ou atuações em festivais como Neopop e Basilar mostram que estávamos certos. Fruto de atuações ao vivo em 2023, “Crossroads” é techno enérgico de sorriso na cara que relembra Detroit ou o que Salbany faz em palco, com as cerejas no topo do bolo que são os remixes de The Advent e AMX. Obrigatório. DD

The Bam Jam Band – The Bam Jam Band [MAD ABOUT RECORDS]

Maravilha disco-jazz-funk da banda encabeçada pelo mago das teclas Sérgio Alves (Azar Azar) e pela enciclopédia Pedro Tenreiro na programação de ritmos, dupla que neste caso conta com a companhia de Pedro Ferreira no baixo e da voz de Kiko no segundo tema. Entretanto sucedido por outro 7”, é um disco imperdível – e esgotadíssimo, como seria de esperar. DD

Textos por Daniel Duque, Jomi e Rui Castro. Parte foi resgatada de lançamentos mensais.

Capa: “The Concert”, por Johannes Vermeer

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