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João Viegas

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Reportagem

Ron Morelli levou a intensidade prometida até à ZDB

11 Fevereiro, 2020 - 16:26

Ron Morelli prometeu e não falhou na apresentação que marcou o seu regresso a Portugal.

Faltava pouco para as 23h quando chegámos à Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Por volta dessa hora já DJ Fantasia se encontrava por trás dos decks, numa cabine improvisada no centro da sala, de frente para a porta de entrada a receber os convidados (como verdadeiro anfitrião) em mais uma edição de “Bola de Cristal”.

Esta série de eventos, com residência no “aquário” da galeria, tem sido um importante ponto de encontro entre o público nacional e alguns dos nomes mais singulares e desafiantes do panorama eletrónico global, como recentemente os Gabber Moddus Opperandi, ou anteriormente o Hieroglyphic Being e Dj Nigga Fox.

Numa recente entrevista para A Cabine, Ron Morelli prometia intensidade. Essa promessa fez-se cumprir numa performance que, apesar da curta duração, serviu para comprovar as várias qualidades de um artista que tem, através da label L.I.E.S. e das suas produções (lançadas essencialmente na mítica editora Hospital Productions), deixado uma marca muito forte no clubbing mais ruidoso e criativo, proveniente do underground de Brooklyn.

O seu set up era simples – drum machine, sintetizador, pedais de distorção, tape recorder e microfone. É impressionante como em 2020, após tantas experiências com este equipamento, a sua eficácia continuar a ser tão alta.

Pelas 23h40, Morelli posiciona-se discretamente no seu lugar. O início é ruidoso, sendo difícil distinguir cada elemento que compõe o ambiente, sugerindo uma tensão que se vai acumulando em crescendo de intensidade. Esta é cortada por um kick que acerta a batida, estabelecendo uma relação direta com os corpos que preenchem a sala, iluminados pontualmente pelo strobe.

A partir desse momento o live segue um caminho mais dançável, acompanhado por linhas de acid elétricas e tambores industriais, numa espécie de funk mecânico rico em dinâmicas de sustain-release, onde a percussão se vai tornando cada vez mais intensa e crua e as melodias do 303 cada vez mais hipnóticas, até que se dissipam de novo num emaranhado sonoro que nos traz de volta para o número 59 da Rua da Barroca.

Depois de pouco mais de 40 energéticos minutos de atuação, DJ Fantasia regressa ao seu posto para encerrar mais uma noite vitoriosa, deixando-nos ansiosamente à espera da confirmação do próximo encontro “Bola de Cristal”.

Fotografia por João Viegas

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