AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Podcast

N’A CABINE #015: Backbone

31 Janeiro, 2019 - 20:57

Backbone é o 15º convidado a entrar n’a cabine para nos dar música. E história.

Natural de Mondim de Basto, Afonso Esperança cresceu com as paisagens de Trás-os-Montes e com “música como pano de fundo” em casa, onde desde cedo esteve atento à coleção de discos do seu pai, uma das suas “primeiras influências” – “daí”, conta-nos Backbone, teve muitas outras, “do jazz ao jungle”.

Anos mais tarde, em 2005, “a chegada ao Porto” foi ponte para conhecer a “forte cultura de jungle e drum’n’bass associada a um movimento rave” que se vivera na cidade invicta. Além de se apaixonar pelas sonoridades, acrescenta Backbone, “o ambiente era bastante chamativo e refrescante”. Pela mesma altura, o dj “quis aprender como é que tudo acontecia” e, por isso, começou a aprender em casa, “sozinho e com amigos”. “Foi uma boa altura e teve bastante importância nesse aspeto”, um momento mais íntimo que “ainda gosta de fazer”.

Hoje, Afonso já carrega outra experiência, seja pelas passagens em vários clubes nacionais ou pelos projetos Vicious Electronic Music e Spectrum Festival. Como dj, e tendo em conta público, contexto e horas, gosta de “proporcionar um bom momento às pessoas” sem “fugir às suas influências e identidade”. Backbone “prepara sempre o início de um set e daí deixa fluir”, afirmando o gosto pelo “fator surpresa e variações fortes feitas de forma subtil e tensão, muita tensão”.

Nos últimos tempos, além de música, Afonso Esperança tem-se focado no projeto Vicious Electronic Music, de Toni Ribeiro. Em Fafe, a Vicious procura “desenvolver o movimento na cidade e no norte em geral” não só através de festas, mas também de transmissões online com djs convidados. O mondinense está também a preparar a segunda edição do Spectrum, festival que organiza na sua terra natal com o “sócio e amigo de infância” Emiliano Saldanha.

Backbone vê o panorama com bons olhos apesar de sentir um ligeiro enfraquecimento fora das metrópoles:



Recebemos uma vaga de festivais este verão e, nunca tentado dizer que isso é algo negativo, é bom ter oferta na eletrónica visto o quão vasta ela é. Em relação ao movimento fora das metrópoles, penso que já tivemos mais oferta, penso que existiam mais movimentos há dois, três anos atrás, sendo que é sempre mais difícil dar sustentabilidade a um movimento de música eletrónica fora delas, tanto por falta de público (visto que é onde sofremos mais emigração ou por falta de conhecimento), ou porque o que se procura é um contexto musical e social mais “fácil” e simples, digamos assim.

Afonso lamenta ver telemóveis na pista, mas quer “continuar a organizar eventos, convidar pessoas para exporem as suas ideias e formas de estar”. E, claro, “continuar a fazer música e mostrá-la, ouvir música nova, e evoluir nesse sentido e em tudo o que ele pode trazer”.


Antes de gravar este episódio, Backbone disse-nos que se iria basear “em influências do presente, do passado e do mais refrescante possível, não sabendo ainda o que isso vai implicar”. Descubram connosco.

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